Repetir a mesma senha no e-mail, no chat e na rede social transforma um vazamento qualquer em acesso a tudo. Basta uma loja pequena ser invadida para que aquela combinação apareça em listas públicas, e é ali que começa a maior parte das invasões de conta.

A solução não é decorar dezenas de senhas complicadas. É usar um gerenciador, deixar que ele guarde combinações diferentes para cada serviço e proteger só a senha principal. Leva uma tarde para configurar e resolve um problema que costuma voltar sempre.

Uma senha por serviço, sem exceção

O critério é simples: se a senha do chat for igual à do e-mail, quem descobrir uma entra na outra. E o e-mail é a chave de recuperação de quase todo o resto, o que torna esse caso o mais grave.

Senhas parecidas também não ajudam. Trocar um número no fim ou acrescentar o nome do site é um padrão fácil de adivinhar quando alguém já viu uma das versões.

O guia de segurança e privacidade no chat trata do conjunto dessas escolhas. A senha é a parte mais básica e, justamente por isso, a que costuma ficar para depois.

O gerenciador faz o trabalho que você não precisa fazer

Um gerenciador de senhas gera combinações longas, guarda todas e preenche na hora de entrar. Você memoriza apenas uma senha principal, que deve ser longa e usada só para isso.

Há opções gratuitas e pagas, incluindo as que já vêm no navegador e no celular. Qualquer uma delas é melhor do que repetir a mesma senha, e a escolha importa menos do que começar a usar.

Se você compartilha o aparelho ou usa computador de terceiros, vale ler o texto sobre conversar sem deixar rastros. Salvar senha em máquina que não é sua costuma ser exatamente o que não convém.

Ative a verificação em duas etapas onde for possível

Com a verificação em duas etapas, a senha sozinha não basta: é preciso um código do aplicativo autenticador ou uma chave física. Isso segura a maior parte das tentativas feitas com senha vazada.

Prefira o aplicativo autenticador ao código por SMS quando houver escolha. O SMS pode ser interceptado com a troca fraudulenta de chip, golpe que continua acontecendo no Brasil.

Guarde os códigos de recuperação em lugar seguro, fora do próprio celular. Perder o acesso ao segundo fator sem ter esses códigos costuma dar mais trabalho do que o próprio problema que você queria evitar.

E-mail separado para o que é mais reservado

Muita gente prefere um endereço só para contas ligadas a conversas e paqueras. Isso reduz a chance de um aviso aparecer no e-mail de trabalho e separa o que não precisa estar junto.

Esse endereço merece o mesmo cuidado dos outros: senha exclusiva, verificação em duas etapas e recuperação configurada. Um e-mail secundário mal protegido é um ponto fraco, não uma proteção.

Se alguma conta sua já apareceu em vazamento, troque a senha desse serviço e de todos onde ela foi repetida. O artigo sobre golpes em chats e encontros mostra o que costuma vir depois de um acesso indevido.

Perguntas frequentes

Anotar senha no papel é aceitável?

É melhor do que repetir a mesma em tudo, desde que o papel fique guardado. Ainda assim, o gerenciador é mais prático no dia a dia.

E se eu esquecer a senha principal?

Por isso ela deve ser longa e memorável, e os códigos de recuperação precisam estar guardados fora do celular.

Trocar de senha todo mês ajuda?

Não muito. Senhas únicas e verificação em duas etapas protegem bem mais do que a troca frequente.

Entre no bate-papo com a conta protegida. Meia hora de organização hoje evita o transtorno de recuperar acessos depois.